O Cérebro Não Esqueceu: Por que a resistência na volta às terapias é normal (e passageira).

ntenda como a neuroplasticidade garante que o aprendizado do seu filho continua lá, apenas esperando o estímulo certo para “acordar”.

Depois de semanas de piscina, videogame, horários livres e pouca cobrança, janeiro chega ao fim, é hora de voltar para a fonoaudióloga, para a terapia ocupacional (TO) ou para a psicologia.

E então acontece: surge a resistência. Pode ser um choro na porta, uma recusa em entrar ou aquela sensação de que ela “esqueceu” como fazer exercícios que já dominava.

O pânico dos pais é imediato: “Perdemos todo o progresso do ano passado?”

Como especialistas em gestão de saúde, estamos aqui para te tranquilizar: o progresso não foi perdido, ele está apenas “adormecido”.

A Metáfora da Trilha na Floresta

Imagine que aprender uma habilidade nova é como abrir uma trilha na floresta. No começo é difícil, o mato é alto, mas conforme você passa ali toda semana (terapia), a trilha fica limpa e fácil de caminhar.

Nas férias, você parou de passar. Algumas folhas caíram na trilha, talvez um galho tenha crescido no caminho. Mas a trilha ainda existe.

Você não precisa abrir o caminho do zero novamente; só precisa limpá-lo.

Neuroplasticidade: O Caminho ainda existe

O cérebro tem uma capacidade incrível chamada neuroplasticidade. As conexões sinápticas que foram fortalecidas durante meses de terapia no ano anterior são robustas. Ao retomar os estímulos, o cérebro rapidamente reconhece o padrão: “Ah, eu sei fazer isso!”.

Muitas vezes, o que parece “perda de habilidade” é apenas desregulação comportamental.

A criança não esqueceu como falar ou como montar o quebra-cabeça; ela apenas está frustrada porque preferia estar brincando em casa. É uma questão de readaptação à rotina, não de deficiência cognitiva.

Dicas para a Retomada Suave:

  1. Valide o Sentimento: Diga “Eu sei que é chato parar de brincar para vir aqui, mas a [Nome da Terapeuta] estava com saudade”.
  1. Reconecte o Vínculo: As primeiras sessões do ano costumam ser mais lúdicas, focadas em refazer a amizade com o terapeuta. Não cobre desempenho máximo na primeira semana.
  1. Consistência é Chave: Mesmo com choro, mantenha a frequência. A previsibilidade é o que vai acalmar a ansiedade da criança.

Tenha paciência. Em duas ou três semanas, a “poeira das férias” baixa e você verá que todo o potencial do seu filho continua ali, prontinho para evoluir ainda mais.

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