A Copa do Mundo já começou e a ansiedade está a mil, afinal, o primeiro jogo do Brasil é logo ali, neste sábado, dia 13! É tempo de vestir a camisa, reunir as pessoas queridas e celebrar. Porém, para as famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), os gritos de gol, as vuvuzelas, os fogos de artifício e a quebra da rotina podem transformar a alegria em sobrecarga sensorial.
Nós, como especialistas em gestão de saúde, bem-estar e torcida acessível, sabemos que cuidar dos nossos beneficiários significa olhar para toda a família. Promover a inclusão é garantir que momentos de lazer sejam confortáveis para todos.
Segundo diretrizes de neurodesenvolvimento e integração sensorial (apoiadas por instituições como a Sociedade Brasileira de Pediatria), a previsibilidade e o respeito aos limites da criança são os maiores aliados para evitar crises (meltdowns).
Para ajudar vocês a garantirem uma Copa inclusiva, preparamos um guia de como adaptar a torcida em diferentes cenários que provavelmente vamos nos deparar nos próximos 2 meses, ainda mais se você fizer parte de uma família que ama a camisa amarelinha da Seleção Brasileira:
1. Jogando em Casa (Apenas com a família) O ambiente domiciliar é o mais seguro, mas ainda exige adaptações.
- Crie um “Refúgio do Silêncio”: Deixe o quarto da criança ou outro cômodo preparado com pouca luz, os brinquedos favoritos e silêncio.
Se o barulho da TV ou dos vizinhos ficar muito alto, ela sabe que tem um porto seguro para se regular.
- Previsibilidade: Use recursos visuais (desenhos ou fotos) para explicar que hoje é dia de jogo.
Avise que as pessoas podem gritar “Gol!” e que fogos de artifício podem estourar. Isso não garante que o susto não ocorra, mas com certeza deixa a criança mais preparada.
- Proteção: Tenha sempre à mão abafadores de ruído, mesmo dentro de casa, para o caso da vizinhança exagerar na comemoração.
2. Jogando Fora de Casa (Casa de amigos ou parentes) Mudar de ambiente adiciona o desafio da socialização e do espaço desconhecido.
- Comunicação Prévia: Comunicação é sempre o primeiro passo: converse com os anfitriões antes de chegar e explique, de forma leve, que seu filho tem sensibilidades sensoriais.
Peça para que reservem um cômodo tranquilo caso ele precise de uma privacidade por alguns minutos. Visitar o lugar antes, sem jogo nem gritaria e acompanhado do pequeno torcedor pode ser uma boa!
- Leve um “Kit Conforto”: Crianças no espectro muitas vezes têm seletividade alimentar ou apegos a texturas.
Leve os lanches que ela já aceita e os objetos de regulação (fidget toys, tablet com fones, cobertores familiares).
- Evite aglomerações extremas: Se a casa estiver superlotada, tente ficar em áreas mais abertas ou ao menos perto de portas e janelas.
3. Torcendo na Rua ou no Estádio Este é o cenário de maior complexidade sensorial, mas não é impossível se a criança gostar da experiência.
- Defesa Sensorial Máxima: O uso de fones abafadores de ruído é inegociável. Além disso, roupas confortáveis (sem etiquetas que arranhem) e óculos escuros podem ajudar a diminuir o impacto das luzes e do sol.
- Rota de Fuga: Ao chegar, identifique imediatamente onde estão os banheiros, os postos médicos e as saídas mais rápidas.
- Respeite o apito final da criança: Se a criança der sinais de desregulação severa (tapar os ouvidos com força, choro incontrolável, agitação motora atípica), não force a permanência.
O jogo pode acabar no primeiro tempo para vocês, e está tudo bem. O importante é a experiência positiva! Essa não vai ser a nossa última Copa mesmo…
A inclusão começa com a empatia. Ao adotar essas práticas, garantimos que a paixão pelo futebol e o respeito à neurodiversidade entrem em campo juntos.
Gestão de saúde que faz a diferença pensa no bem-estar integral da sua família e é a missão da Tear. Compartilhe este guia, conheça nosso trabalho e promova uma Copa do Mundo inclusiva para todos!

