Tecnologia usa IA para detectar condições neurológicas em bebês

Um móbile inteligente é equipado com IA e capaz de filmar o bebê e identificar sinais sutis de autismo

O Baby Minder combina visão computacional e inteligência artificial para identificar precocemente sinais de autismo e outros transtornos neurológicos

Desde os primeiros instantes de vida, os recém-nascidos começam a explorar o mundo por meio de movimentos sutis como um gesto, uma torção de punho, um olhar curioso. Mas e se esses instintos de descoberta pudessem ser uma chave para um diagnóstico precoce de condições neurológicas?

É exatamente essa a missão do Baby Minder, uma tecnologia brasileira desenvolvida pela WideLabs com apoio da Eurofarma, que foi pioneiro na criação de dispositivos de triagem com inteligência artificial voltados a diagnósticos infantis. 

Em formato de móbile para berço, o dispositivo capta movimentos do bebê através do uso de uma câmera combinada ao de algoritmos para identificar padrões de movimentos associados a condições como autismo, epilepsia, paralisia cerebral e atrasos motores.

Como funciona o dispositivo?

Quando o bebê se movimenta, o Baby Minder registra pequenas alterações na postura, nos gestos ou no padrão de movimentação. A IA compara esses dados a um banco de padrões já reconhecidos pela pesquisa médica e alerta os pais da criança sobre a necessidade da realização de uma avaliação médica aprofundada. Não é um diagnóstico definitivo, mas uma triagem para acelerar o encaminhamento para especialistas

Os testes iniciais já começaram: o dispositivo está sendo usado em ambiente hospitalar no Hospital Universitário de Jundiaí, interior do estado de São Paulo, que é referência em neonatologia, e também aplicado em lares selecionados, como parte da fase de pesquisa.

Por que isso é tão importante?

  • O diagnóstico precoce faz diferença: Detectar sinais de autismo nos primeiros meses pode transformar o prognóstico. Intervenções mais rápidas possíveis melhoram o desenvolvimento cognitivo, emocional e social da criança;
  • Acessibilidade para áreas remotas: Em regiões sem fácil acesso a especialistas, esse dispositivo pode ser um meio de democratização do acesso à saúde neurológica;
  • Reconhecimento internacional: O Baby Minder recebeu o Leão de Prata por Inovação no Cannes Lions, celebrando sua capacidade de transformar as abordagens em saúde e tecnologia

Segundo Thiago Mônaco, gerente médico da Eurofarma, “investir em projetos que utilizem tecnologia a serviço do paciente é apostar no futuro da saúde”. E o diretor clínico do hospital, Dr. André Prado Grion, afirma que a validação do dispositivo representa um avanço significativo na monitorização dos pequenos pacientes, otimizando os prognósticos.

Mas é importante ressaltar que o Baby Minder não substitui a avaliação clínica. Sua função é ser um “radar precoce” que, ao detectar sinais atípicos, sugere que os pais procurem um profissional de saúde para uma avaliação concreta.

O futuro já está olhando para os bebês

Com previsão de escalonar no mercado até 2026, o dispositivo pode impactar milhares de famílias em todo o Brasil – sobretudo aquelas em áreas mais vulneráveis. 

É um exemplo perfeito de como a tecnologia pode se humanizar e fazer parte até mesmo dos primeiros passos da vida.

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